"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos" - Eleanor Roosevelt.



domingo, 27 de janeiro de 2013

A ECOLOGIA E O TRACAJÁ


Mais duas personalidades de Parelheiros
Valéria Maria Macoratti e
Vânia dos Santos
Elas passaram a se dedicar à agricultura pelo amor à terra e às plantas. Antes de se iniciarem no plantio, trabalhavam com a comercialização de produtos convencionais mas, a partir do momento em que entraram em contato com a produção ecológica, deixaram de vender produtos com veneno e passaram a cultivar produtos orgânicos e biodinâmicos. Na pequena propriedade mantêm um pomar e grande diversidade de hortaliças. Têm ainda uma cisterna, filtro de águas cinzas e estufa para a produção de mudas. Cuidam de cerca de 50 (cinquenta) cachorros que foram abandonados.

Fonte do texto e foto: “Guia Turístico – “ecoturismo e agroecologia no extremo sul de São Paulo”

A Ecologia e o Tracajá
Fonte:http://ambientes.ambientebrasil.com.br
Navegando em uma remota região de um país que sonhava crescer, a Ecologia sentia o drama de viver a destruição de imensas florestas tropicais, pela fúria do fogo e a incapacidade humana.
Seguindo há vários dias entre rios, paranás e igarapés, a fauna e flora local, somando-se à tranquilidade de águas negras e límpidas, como a própria expressão da vida natural, a Ecologia tinha certeza que suas verdades seriam inquestionáveis pela simples razão de existirem.
Ao parar no fim de mais um dia, em um tranquilo braço de rio, brilhando ainda sob a última luz do sol poente, a Ecologia resolveu ir até uma pequena casa que se avistava ao longe, à primeira vista em muitos dias.
Desembarcando, observou as paredes de toro encostados, cobertos pela palha característica da região, e chegou próxima ao jovem morador, que preparava sua primeira refeição do dia, após o árduo trabalho entre seringueiras e castanheiras.
Observando melhor a panela de barro do jantar, viu que o jovem preparava um tracajá, - tartaruga típica do local - e que se encontrava em perigo de extinção pelo seu abate indiscriminado.
Indignada, mas sábia, a Ecologia perguntou ao jovem:
- Você sabe o que está comendo?
- Sim, um tracajá. Respondeu o morador.
Tentando encontrar um melhor caminho para resolver a questão, a Ecologia falou:
- Olhe, o tracajá é um animal protegido, inclusive o governo gasta muito dinheiro para criar e conservar a espécie. Além disso, a lei determina que você pode ser preso por crime.
Mas, pela lógica de que o processo deve evoluir, completou:
- Não vou lhe prender. Prefiro que você seja educado e entenda que se você comer este tracajá no futuro, seus filhos não vão mais ver tracajás nos rios.
E o jovem confuso respondeu:
- Mas, eu não entendo; se eu não comer o tracajá vou morrer de fome e não vou ter filhos!!!

domingo, 20 de janeiro de 2013

TODA A ÁGUA DA TERRA.

Mais Uma Personalida de Parelheiros
Gente que faz a diferença:
Fonte:do texto e foto:
Guia turístico - "ecoturismo e agroecologia no extremo sul de São Paulo"

Angelina Helfstein Fidêncio
É pioneira da produção de húmus de minhoca. Faz suas próprios mudas de hortaliças em bandejas, e também plantas “suculentas” e  flores diversas, em vasos. Proprietária do Sítio Dourado, está comprometida com as práticas agroecológicas.



Comparação do volume de água existente, em relação ao tamanho do nosso Planeta.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) criou esta visualização incrível: uma imagem que dá uma ideia perfeita de como há pouca água no planeta Terra, comparado aos materiais sólidos que formam seu volume. 
A imagem mostra o tamanho de uma esfera que conteria toda a água da Terra, em comparação com o tamanho do planeta. Repare que estamos falando de volume, não de superfície: cerca de 70% da superfície terrestre está coberta por água, mas o volume de água em relação ao volume da Terra é irrisório. 


A esfera azul em cima dos EUA tem um diâmetro de aproximadamente 1.385 km, com um volume de 1.386.000.000 km³. A esfera inclui toda a água dos oceanos, mares, geleiras, lagos e rios, além das águas subterrâneas, água atmosférica (no ar), e até mesmo a água dentro de você, do seu animal de estimação e dos tomates na sua geladeira. 

Eis alguns números do USGS: 

- O volume de toda a água seria de aproximadamente 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos (km³). Um quilômetro cúbico de água equivale a cerca de um trilhão de litros d’água. 



- Cerca de 12.900 km³ de água, a maior parte na forma de vapor d’água, está na atmosfera. Se toda ela precipitasse de uma vez, a Terra seria coberta por apenas 2,5 cm de água. 

- A cada dia, 1.170 km³ de água evapora ou transpira para a atmosfera. 

- Se toda a água do mundo fosse jorrada nos EUA, ela cobriria o território com uma profundidade de 145 km. 

- Da água doce na Terra, muito mais fica no subterrâneo que em lagos e rios. Mais de 8.400.000 km³ de água doce estão armazenados na Terra, a maior parte a até 800 m da superfície. Mas se você realmente quer encontrar água doce, a maior parte está armazenada nos 29.200.000 km³ de geleiras e calotas de gelo, principalmente nas regiões polares e na Groenlândia. 

E esta é a quantidade de água doce, comparada ao volume da Terra e à quantidade total de água: 

E o volume de água doce potável é ainda menor, 
então não consuma água desnecessariamente.

domingo, 6 de janeiro de 2013

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE COMPOSTAGEM

Compostagem são técnicas de tratamento dos resíduos sólidos orgânicos. É um processo natural de decomposição dos resíduos orgânicos (folhas, grama, vegetais, frutas, etc.) em partes menores, produzindo o húmus.
Através da respiração aeróbica, os microorganismos conseguem decompor o material e para isso necessitam do oxigênio presente no ar. A água é um importante fator para estes microorganismos viverem e se proliferarem. Ainda no processo da respiração, estes microorganismos expelem dióxido de carbono e calor. Este processo é conhecido como compostagem aeróbica.

Húmus é um componente orgânico, resultante da decomposição microbiana de resíduos de animais e plantas. Com aspecto macio acastanhado, essa substância amorfa traz muitos benefícios ao solo, tais como:
  • Melhora muito as propriedades físicas do solo.
  • Promove a liberação de nutrientes lentamente, tornando a adubação mais eficaz e duradoura.
  • Contribui para o aumento da capacidade de tamponamento do solo.
  • Retém a umidade do solo por mais tempo.
  • Funciona como reservatório fixo de nitrogênio, que é fundamental para manter a fertilidade do solo.
  • Impede a compactação de solos argilosos e promove a agregação de solos arenosos.
  • O húmus diluído na água funciona como um adubo foliar suave além de contribuir na prevenção de várias pragas agrícolas.

O processo de formação do húmus, denominado humificação, pode ser natural (produzida por fungos e bactérias) ou artificial (induzida através da adição de produtos químicos e água em solo pouco produtivo).
O húmus é composto por frações de ácido húmico, ácido fúlvico e humina.

Humina: É o maior componente das substâncias húmicas do solo. É uma fração insolúvel em meio ácido e alcalino que representa maior peso molecular. A humina é considerada o produto final do processo de humificação.

Ácido Húmico: É uma fração solúvel em meio alcalino e insolúvel em meio ácido. São muito complexos quimicamente e muito importantes em vários processos, como no processo de intemperismo.

Ácido Fúlvico: É uma fração das substâncias húmicas de menor peso molecular. Em meio alcalino ou ácido são solúveis.

Utilização do Húmus

Por ser um fertilizante natural e contribuir para um crescimento rápido e vigoroso das plantas, o húmus é muito utilizado em plantios comerciais e cultivos domésticos.
Pode ser utilizado sob variadas formas, como:

1 - Para encher tabuleiros e vasos de germinação, o húmus pode ser utilizado unicamente ou também misturado com areia ou turfa.

2 - Pode-se espalhar o húmus no solo em cima de plantas, árvores e arbustos.

3 - Pode-se diluir em água para rega ou pulverização.
Sendo um poderoso fertilizante e contendo um PH neutro, o húmus, não causa nenhuma reação maléfica como envenenamento, queimaduras ou apodrecimento de plantas.





No processo de compostagem anaeróbica, os 

microrganismos conseguem decompor a matéria 

sem a presença de oxigênio. Esta compostagem é 

mais demorada, ocorre em baixas temperaturas 

e exala odores fortes.
Vermicompostagem

Vermicompostagem é o nome do processo de produção de húmus ou vermicomposto por meio de utilização das minhocas. Esses anelídeos pertencentes à classe Oligoqueto decompõem resíduos orgânicos como restos de cozinha, estrumes, resíduos de jardim, entre outros.
As minhocas digerem estas substâncias que são excretadas sob a forma de húmus ou vermicomposto, que é um rico fertilizante, inodoro, contendo micronutrientes (ferro, zinco, cloro, boromolibdênio, cobre) e macronutrientes (nitrogêniofósforopotássio

domingo, 30 de dezembro de 2012

ONDA VERDE

Outras Personalidades de Parelheiros. 
Gente que faz: 
Cida e Osvaldo Oshi
 Fonte do texto e foto: Guia Turístico “ecoturismo e agroecologia no extremo sul de São Paulo”.

  
Vivem em uma propriedade próxima ao Parque  Estadual da Serra do mar. O pai de Osvaldo chegou à região de Parelheiros em meados da década de 1950, dedicando-se ao plantio de hortaliças. A partir de 1960, iniciou uma plantação de caqui. No tempo dele já se ouvia falar em cultivo orgânico, “essa terra, quando ficar pobre, não vai dar mais nada” diziam. Há aproximadamente 10 anos, o Sr. Osvaldo não usa agrotóxicos. Sua terra é fértil e abriga uma vasta produção de suculentas caquis.





ONDA VERDE

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:
No meu tempo não havia essa onda verde.

O empregado respondeu:
Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. 


Você está certo - responde a idosa senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupávamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio para todos casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a desaparecer. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina ou a eletricidade apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava se ir a uma academia e usar esteira que também funciona a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar outra. Para se barbear, os homens usavam navalha, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, não tivemos uma onda verde naquela época. As pessoas tomavam o bonde ou ônibus e as crianças iam para a escola em suas bicicletas ou a pé, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos somente uma tomada elétrica em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima. 

Então, porque a atual geração que fala tanto em meio ambiente, não quer abrir mão de nada e não pensa em viver, somente um pouquinho, como na minha época?

É minha gente........anos bem vividos.....

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

FOTO QUE FALA


Não poderia deixar de compartilhar essa foto com vocês porque perguntei a várias pessoas o que ela quer dizer. As respostas foram:

Solidariedade.
Compaixão.
Simplicidade.
Maternidade. 
Humildade.
Pobreza extrema.
Desigualdade Social.
 
 e principalmente

A Harmonia que deve existir entre o Ser Humano e a Natureza.
Obrigada Desconhecida, pela lição que você está nos Transmitindo.
Ritta Dantas

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

RESPONSALIBIDADE AMBIENTAL

Outra Personalidade de Parelheiros
Gente que cuida... Que preserva...
José Geraldo Batista Santiago
Fonte do texto e foto: Guia Turístico= “ecoturismo e agroecologia no extremo sul de São Paulo”
Esse simpático mineiro nasceu na cidade de Ladainha e veio para São Paulo com 14 anos. “Já me sinto paulistano”, afirma Zé Mineiro. Há mais de 20 anos é produtor autônomo. Começou cultivando hortaliças, passando por plantas ornamentais até encontrar sua menina dos olhos: a cana de açúcar. Na roça do Zé Mineiro há um clima de acolhedor sossego. “Se você quer respirar, tem que vir pro mato”, convida o agricultor.

Atitudes voltadas para a proteção do meio ambiente

O que é responsabilidade ambiental
Responsabilidade Ambiental é um conjunto de atitudes, individuais ou empresarias, voltado para o desenvolvimento sustentável do planeta. Ou seja, estas atitudes devem levar em conta o crescimento econômico ajustado à proteção do meio ambiente na atualidade e para as gerações futuras, garantindo a sustentabilidade.

Exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade ambiental individual:
- Realizar a seleção de lixo (resíduos sólidos).
- Não jogar óleo de cozinha no sistema de esgoto.
- Usar de forma racional, economizando sempre que possível, a água.
- Buscar consumir produtos com certificação ambiental e de empresas que respeitem o meio ambiente em seus processos produtivos.
- Usar transporte individual (carros e motos) só quando necessário, dando prioridades para o transporte coletivo ou bicicleta.
- Comprar e usar eletrodomésticos com baixo consumo de energia.
- Economizar energia elétrica nas tarefas domésticas cotidianas.
- Evitar o uso de sacolas plásticas nos supermercados.

Exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade ambiental empresarial:
- Criação e implantação de um sistema de gestão ambiental na empresa.
- Tratar e reutilizar a água dentro do processo produtivo.
- Criação de produtos que provoquem o mínimo possível de impacto ambiental.
- Dar prioridade para o uso de sistemas de transporte não poluentes ou com baixo índice de poluição.

 Exemplos: transporte ferroviário e marítimo.
- Criar sistema de reciclagem de resíduos sólidos dentro da empresa.
- Treinar e informar os funcionários sobre a importância da sustentabilidade.
- Dar preferência para a compra de matéria-prima de empresas que também sigam os princípios da responsabilidade ambiental.
- Dar preferência, sempre que possível, para o uso de fontes de energia limpas e renováveis no processo produtivo.
- Nunca adotar ações que possam provocar danos ao meio ambiente como, por exemplo, poluição de rios e desmatamento.

sábado, 3 de novembro de 2012

LIXO ELETRÔNIC0:

Um grande problema ambiental


Definição
Lixo Eletrônico é todo resíduo material produzido pelo descarte de equipamentos eletrônicos. Com o elevado uso de equipamentos eletrônicos no mundo moderno, este tipo de lixo tem se tornado um grande problema ambiental quando não descartado em locais adequados.

Exemplos de lixo eletrônico:
Monitores de Computadores - Telefones Celulares e baterias – Computadores - Televisores -Câmeras Fotográficas –  Impressoras.
Problemas causados pelo descarte inadequado.
- Este descarte é feito quando o equipamento apresenta defeito ou se torna obsoleto (ultrapassado). O problema ocorre quando este material é descartado no meio ambiente. Como estes equipamentos possuem substâncias químicas (chumbo, cádmio, mercúrio, berílio, etc.) em suas composições, podem provocar contaminação de solo e água.
- Além do contaminar o meio ambiente, estas substâncias químicas podem provocar doenças graves em pessoas que coletam produtos em lixões, terrenos baldios ou na rua.

Onde Jogar? Descarte correto e reutilização.
- Para não provocar a contaminação e poluição do meio ambiente, o correto é fazer o descarte de lixo eletrônico em locais apropriados como, por exemplo, empresas e cooperativas que atuam na área de reciclagem.
- Celulares e suas baterias podem ser entregues nas empresas de telefonia celular. Elas encaminham estes resíduos de forma a não provocar danos ao meio ambiente.
- Outra opção é doar equipamentos em boas condições, mas que não estão mais em uso, para entidades sociais que atuam na área de inclusão digital. Além de não contaminar o meio ambiente, o ato ajudará pessoas que precisam.
Lembre-se:
- O primeiro passo para evitar a poluição do meio ambiente é fazer a coleta seletiva em casas, escolas e empresas. O lixo eletrônico deve sempre ser separado dos resíduos orgânicos e dos materias recicláveis (papel, plástico, metal).

POR FALAR EM MERCÚRIO

Mercúrio torna aves homossexuais, diz estudo.
Contaminação em áreas de pântano faz com que íbis brancos acasalem com aves do mesmo sexo
BBC Brasil | 02/12/2010
O Mercúrio alterou o comportamento dos íbis brancos, fazendo com que perdessem o interesse pelas fêmeas.
A contaminação por mercúrio afeta o comportamento dos íbis brancos tornando-os homossexuais, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Flórida, nos Estados Unidos, e do Sri Lanka. 
A pesquisa - publicada na revista científica Proceedingsofthe Royal Society B - tinha o objetivo de descobrir por que as aves se reproduzem menos quando há mercúrio em seus alimentos, mas os resultados surpreenderam até mesmo os cientistas.

"Nós sabíamos que o mercúrio podia reduzir seus níveis de testosterona (hormônio masculino), mas não esperávamos isso", disse Peter Frederick, da Universidade da Flórida, que liderou o estudo. A contaminação por mercúrio - que pode vir da queima de carvão e de lixo, além de minas - é especialmente comum em regiões pantanosas. 


Macho com macho

A equipe de pesquisadores alimentou os íbis brancos com comprimidos que continham a mesma concentração de mercúrio encontrada em camarões e lagostins que servem de alimento para as aves em áreas de pântano. 

Quanto mais alta a dose de mercúrio nos comprimidos, mais alta era a probabilidade de um íbis macho acasalar com outro macho. De acordo com os cientistas, o estudo prova que o mercúrio pode reduzir drasticamente a reprodução dos pássaros e possivelmente de outros animais. 

Ainda não se sabe exatamente como esse mecanismo funciona, mas é sabido que o mercúrio altera os sinais hormonais, o que poderia ter um impacto direto no comportamento sexual mediado por esses hormônios. 

Além disso, os machos contaminados com taxas mais altas de mercúrio realizavam menos rituais de acasalamento, o que tornava mais provável que eles fossem "ignorados" pelas fêmeas. 


Contaminação 

Habitats pantanosos, como o Parque Nacional de Everglades, na Flórida, onde vivem essas aves, são especialmente vulneráveis à contaminação por mercúrio. Bactérias encontradas na lama grossa e com pouco oxigênio alteram quimicamente o mercúrio, criando sua forma mais tóxica: o mercúrio metilado. 


Essa substância química atua como uma espécie de impostor biológico, imitando hormônios responsáveis pelos sinais químicos naturais do corpo. Alguns desses sinais são importantes no comportamento sexual. 


Eles podem estimular um animal a realizar um ritual de acasalamento ou motivá-lo a copular. "Estamos vendo efeitos muito grandes no comportamento reprodutivo mesmo com baixas concentrações de mercúrio, então nós realmente deveríamos prestar mais atenção nisso", disse Frederick. 


Cientistas acreditam que o próximo passo deve ser estudar, na natureza, o comportamento de animais contaminados por mercúrio.